A história desta fotografia
01/04/2010
Ando na neve, gelo e na rocha, longe das confusões. A Serra da Estrela está cheia de gente, quase tudo concentrado no topo. São centenas de carros e de pessoas. Há filas de carros a circular devagar. Tenta-se encontrar um lugar para estacionar. É muito fácil, ao mesmo tempo, afastares-te das multidões, para usufruíres do silêncio e dos horizontes largos da montanha. O Sol começa a baixar, entre nuvens leves. Os lagos do topo da Serra estão gelados, com grandes placas de gelo. Num deles o nível da água baixou, fazendo mover as grandes placas de gelo. Algumas quebram ao embater em rochas, debaixo. A luz está bela e há pegadas de raposas na neve. Belo.
Questões técnicas
01/04/2010
Foi feita em película de negativo, médio formato, Fuji PRO 160C 220, com a máquina de médio formato Mamiya 7II 6x7, lente 50mm f/4.5. Sem tripé, já que a luz não o exigia e a abertura de diafragma terá sido f/8, usando a distância hiperfocal. Foi posteriormente digitalizada e processada, convertida para P&B. O bonito grão da película é visível (embora seja conhecida por ter pouco grão, entre películas de negativo) e todo o detalhe é garantido, em toda a área da fotografia. A grande latitude da película consegue fazer incluir zonas de grande sombra e de grandes reflexos de luz (no limite do queimado).
Opinião crítica
01/04/2010
É uma fotografia a P&B com muita, muita força: a colocação do atractivo visual no centro (mancha escura de rocha, com a sua sombra e gelo quebrado), com linhas diagonais dos cantos para o centro (gelo rachado); há grandes contrastes, luz vs sombra, branco vs negro, liso vs rugoso; pela simplicidade, pela composição, e estranheza da situação invulgar, arrasta interpretações paralelas, que ficam a cargo de quem a observe. É muito metafórica e misteriosa - o que costuma acontecer é a rocha cair de cima e partir o gelo, não ao contrário; os restos de gelo partido criam outro choque, entre a fragilidade do gelo e a força do megalito.
Única!

Onde a colocar
01/04/2010
E minha primeira ideia vai para uma zona onde relações de força, mesmo que saudáveis, estejam em jogo. Não tem que ser relações de força entre pessoas, mas entre ideias, entre o comum e o incomum, entre o estabelecido e o criativo. Também é uma fotografia que convida à observação, à consequente contemplação e à paralela interpretação, como referido. Precisa de um local onde seja totalmente vista. Não a veria numa sala de uma casa privada, mas mais num escritório.
Abril 2010
Alma Lux Photographia
Música de Fabrício Cordeiro, Projecto Moustache
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